Com o lançamento do programa PLANETA VERDE, o Instituto Alok busca contribuir para ações de reflorestamento, restauração e preservação de ecossistemas nos variados biomas.
As ações levam também em consideração a qualidade de vida das populações locais, seu empoderamento e protagonismo, incluindo sempre que possível a geração de renda.
No Pará, o programa PLANETA VERDE une-se ao IEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil e com organizações e famílias da Ilha do Marajó através do projeto “Marajó – Agrofloresta em Família” , que representa um aumento de 75% na renda de 150 mulheres que executam o plantio. Até o mês de agosto de 2025 foram 291,5 hectares restaurados, 245.490 mudas plantadas e 212 famílias engajadas.
As mulheres são, em sua maioria, agro-extrativistas e ribeirinhas.
A ação, apoiada pelo Fundo Comunitário do Airbnb, acontece nos municípios de Breves, Curralinho, Melgaço, Muaná, Portel e São Sebastião da Boa Vista, região recordista em desmatamento e com um dos piores Índices de Desenvolvimento Humano do país.
O projeto utiliza a metodologia de Sistema Agroflorestal (SAF), que permite que dentro de uma mesma área sejam feitos cultivos de árvores (como Andiroba, Jatobá e Pracaxi), palmeiras (como açaí e pupunha), espécies agrícolas/frutíferas de ciclo longo e curto (como cacau, cupuaçu, abacaxi, mandioca, mamão e banana). Essa diversidade garante a recuperação de serviços ecossistêmicos, além de gerar renda em curto, médio e longo prazo para as famílias. O SAF é uma estratégia importante para a segurança e soberania alimentar das famílias locais.
Segundo Manuel Amaral, coordenador executivo do IEB, “a parceria com o Instituto Alok e o Fundo Comunitário da AirBnB é estratégica porque impulsiona a restauração produtiva em uma área que tem um importante papel na proteção do ecossistema amazônico e que tem sofrido grande pressão de desmatamento. A implantação de viveiros e de SAFs promove o engajamento das famílias no território, impulsionando uma economia local baseada na agrofloresta e na diversificação da produção e da renda, contribuindo também para a soberania e a segurança alimentar dos moradores da região”.

“O projeto do Instituto Alok com o IEB trouxe grande impacto na renda das famílias. Parte dos recursos foi usada para ampliar áreas produtivas, como hortas e criação de frangos, apoiando entregas da merenda escolar via PAA e PNAE. A renda também ajudou a comprar equipamentos que melhoraram a vida no campo, como o motocultivador, essencial no transporte de insumos e hortaliças.” – Edna Araújo, Cooperativa CAFAR – Breves/PA.

“Com a renda do projeto conseguimos criar um fundo para manutenção dos equipamentos coletivos do viveiro. Também tivemos maior renda e melhorias e qualidade de vida, eu por exemplo, consegui comprar um notebook papra minha filha pra facilitar os estudos dela.” – Enivalda Alves Machado, comunidade Menino Deus (Lega), Peaex Acangatá – Portel/PA.
O projeto segue em execução ao longo de 2025, fortalecendo cada vez mais a renda, a segurança alimentar e a preservação ambiental das famílias da Ilha do Marajó.
Floresta em pé e
comunidade potente
Uma entrevista com Katiuscia Fernandes — IEB (Instituto Internacional de Educação do Brasil)
Por que a escolha do Marajó para investir em agrofloresta?
A escolha do Marajó tem a ver com a combinação de três fatores: necessidade, potencial e trajetória comunitária. É um território com muitos desafios históricos tais como: insegurança alimentar, baixa renda, dificuldade de acesso a políticas públicas e áreas produtivas que precisam ser recuperadas. Mas também com uma enorme riqueza socioambiental e com comunidades agroextrativistas que já têm uma relação profunda com a floresta. Nesse sentido, a implementação de sistemas agroflorestais entra justamente como uma solução adequada para essa realidade, porque permite recuperar áreas degradadas sem afastar as famílias da produção. Pelo contrário: fortalece os quintais, diversifica os cultivos, amplia a produção de alimentos e cria possibilidades de renda com espécies que fazem sentido para o território, como açaí, cacau, cupuaçu, andiroba, cumaru e acapu. Investir nesse território é apostar em um modelo de desenvolvimento que combina floresta em pé, comida na mesa, renda local e fortalecimento das organizações comunitárias, principalmente coletivos informais de mulheres.
O que quase 300 hectares restaurados e mais de 245 mil mudas representam na prática?
Significam famílias reorganizando suas áreas produtivas, substituindo sistemas pouco diversificados por SAFs com várias espécies, recuperando solo, ampliando sombra, água, biodiversidade e produção de alimentos.
Na prática, isso significa que uma área que antes podia estar empobrecida ou baseada quase exclusivamente em uma única cultura passa a produzir açaí, cacau, cupuaçu, frutas, madeira de valor futuro, sementes e alimentos para o consumo da própria família. É uma mudança que não aparece só na paisagem, mas também no prato, na renda e na autoestima das pessoas.
Também representa dinheiro circulando dentro das comunidades, porque muitas famílias participaram da produção.
Por que apostar nas mulheres ribeirinhas e agroextrativistas como força motriz?
Porque as mulheres já são centrais na sustentação da vida comunitária. Elas estão diretamente envolvidas no cuidado com a alimentação, com a água, com os quintais, com a saúde da família, com o beneficiamento dos produtos e, muitas vezes, com a organização coletiva das comunidades. O projeto reconhece esse papel e busca transformá-lo também em autonomia econômica, visibilidade e poder de decisão.
Apostar nas mulheres ribeirinhas e agroextrativistas é reconhecer que elas não são apenas beneficiárias das ações: elas são lideranças, produtoras, guardiãs de conhecimento e articuladoras da transformação nos territórios. Quando uma mulher passa a produzir, beneficiar e comercializar com melhores condições, o impacto chega à família inteira e também fortalece a comunidade.
Por isso, a estratégia do IEB articula agroflorestas, quintais produtivos, cozinhas agroextrativistas, acesso a mercados e políticas públicas como PAA e PNAE. A ideia é que a produção local ganhe valor, gere renda e fortaleça a autonomia das mulheres, sem romper com os modos de vida tradicionais.
Uma ideia-força central da nossa atuação com esse tema no Marajó que é: “no Marajó, agrofloresta não é só restauração ambiental; é uma estratégia de segurança alimentar, renda, autonomia comunitária e valorização da sociobiodiversidade.”
Sobre o IEB:
IIEB – Instituto Internacional de Educação do Brasil
O IEB foi fundado em 1998 com o objetivo de fornecer treinamento, promover educação, gerar e disseminar conhecimento, e reunir partes interessadas para construir uma sociedade sustentável. Suas ações de conservação de recursos naturais integram as diferentes dimensões da sustentabilidade, abrangendo aspectos econômicos, sociais e culturais, fortalecendo os atores sociais e o seu protagonismo.
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