O Instituto Alok estabeleceu parceria com o Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza, Agroecologia e Sustentabilidade – CAIANAS, do povo Terena no Mato Grosso do Sul, em 2024.
O apoio do Instituto Alok deu-se para o desenvolvimento do projeto “Guardiões do Clima”, de formação de 20 jovens indígenas em Etnoagroecologia, num contexto de emergência climática.
Os participantes com idades entre 14 e 25 anos pertencem às etnias Kinkinau e Terena das Terras Indígenas Cachoeirinha e Pílad Rebuá, localizadas no município de Miranda (MS).
No total, o projeto alcançou 25 jovens que foram capacitados para o resgate da agricultura ancestral Terena que reúne dimensões sociais, culturais, ambientais, cosmológicas e espirituais. Tais práticas haviam sido abandonadas, deixando o povo Terena diante de grandes desafios para construir suas roças e auferir os alimentos para subsistência familiar.

Arquivo Caiana
Etapas desenvolvidas ao longo do projeto:
- Mobilização e sensibilização dos 25 Guardiões e Guardiãs do Clima, com participação de jovens das etnias Terena e Kinikinau;
- Apresentação, discussão e validação do conteúdo programático da formação junto às lideranças e participantes;
- Capacitação básica em produção audiovisual, com jovens registrando e compartilhando as atividades nas redes da CAIANAS;
- Coleta de sementes nativas do Pantanal e Cerrado, realizada no Centro de Formação Kayanás com a participação de 25 Guardiões do Clima;
- Construção de viveiros descentralizados;
- Formação sobre o calendário agrícola cultural Terena, com orientação de anciões e programação dos plantios conforme as fases da lua e período de chuvas;
- Oficina de planejamento da implantação da roça tradicional, com participação das mulheres indígenas e foco na retomada da agricultura ancestral;
- Levantamento e preservação de sementes e etnovariedades ancestrais, como arroz, milho e variedades de feijão armazenadas por guardiões tradicionais;
- Curso sobre produção sustentável de mandioca com apoio de parceiros institucionais;
- Oficina de implantação de hortas agroecológicas, com destaque para a colheita e ações educativas em escola indígena;
- Formações sobre etnomedicina e espiritualidade tradicional Terena, incluindo a realização do HÁNAITI KAXÉ e reflexões sobre restauração ecológica.
“Nós que participamos do projeto, nos sentimos honrados e acolhidos […], porque estamos aqui por uma boa causa. […] Todas as oficinas que a gente participa aprendemos muito!” – Marcos Samuel, jovem indígena participante do projeto.
“Eu não gostava de mexer com plantas. Eu achava ruim, achava que era uma perda de tempo, mas aí que eu vi o professor, […] como ele explicava e vi que isso leva para frente, faz uma boa ação e eu gostei muito!” – Ana Thiene, jovem indígena beneficiária do projeto.
A organização é uma das entidades indígenas brasileiras vencedoras em 2024 do PRÊMIO EQUATORIAL, com o qual o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento reconhece soluções que gerenciam de forma sustentável a natureza e a biodiversidade.


Sobre a Organização Coletivo Ambientalista Indígena de Ação para Natureza, Agroecologia e Sustentabilidade – CAIANAS
A CAIANAS é uma organização indígena que tem como missão a defesa da qualidade de vida plena e do meio ambiente, mais diretamente do Cerrado e do Pantanal onde está inserida.
Busca pelo fortalecimento e direito dos territórios e pela autonomia das famílias indígenas, através de práticas culturais e etno-agroecológicas no cuidado, na luta e no cultivo da terra.
A Organização tem mobilizado e beneficiado mulheres, jovens, crianças, anciões, famílias e territórios, através de inúmeras ações, como recuperação de nascentes e áreas degradadas; plantio em sistemas agrícolas tradicionais e sistemas agroflorestais agroecológicos; revitalização de etnovariedades; constituição de bibliotecas de sementes; produção e distribuição de mudas; inserção do debate sobre a agricultura tradicional Terena nas escolas indígenas; valorização dos saberes e da espiritualidade tradicionais; entre outros.
O Coletivo CAIANAS também organiza cursos e processos formativos nas temáticas etnoambientais; publicação de cartilhas; participação e viabilização de intercâmbios com outros povos indígenas e comunidades agroecológicas; promove e participa de eventos ambientais e tem apoiado atividades de pesquisa e acadêmicas através do acompanhamento de alunos de graduação em estágios e pesquisadores.






